Às vezes me abato. Meu pensamento cede espaço, já escasso, eu calo. Calo pro mundo, calo pra você, calejado sem nem saber porquê. Peço sinceridade sinceramente pedindo desculpas. Pela distância que é meu semblante, pelo silêncio que é meu melhor presente. Pra nós dois. Na gangorra da liberdade que pede unicidade, esse desespero de ser humano é um todo descartável indispensável. Esse mundo de abismos e pontes, chuvas torrenciais e água de fonte. Estremeço quando penso que nesse meio tempo você pode estar vivendo outro remendo outro contento outro outro outro rebento. Um re-nascimento bebendo na água d'outra fonte.
Às vezes me abato.
terça-feira, 2 de março de 2010
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Labiata

Eu fiquei só
Mente e corpo
Azul como um bom blues deve ser
Deve ser karma
Corpo deve, alma pena
Quem é você que me condena?
Quem é você que me condena?
Fiquei demais
Vermelho faz o tapete desse show
Antes fossem luzes e apenas
Só mais um cantor de soul
Só mais um cantor de soul
Há penas que encenam o meu drama... fiquei tempo demais atado a essa cama
Quero samba pra minha solidão
Tenho sérios impasses comigo mesmo
Tenho tanto tempo, tanta vida
Tem você e não, tem você e não
Não tenho
Tudo posso, assim espero
Uma bossa nova reformulada
Como um Dylan revisitado
Como com gosto o que não quero
Pedras rolando montanha abaixo
Tamanho peso sobre mim não
Sobre mim sobretudo só o céu
Sobre tudo o que desejo
Solidão, solidão
Sou o frio nesse calor de chuva
Sôo frio abafado de mim mesmo
Sou o frio se esquentando no desejo
Sou só o que posso ser
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Confissão II
Eu preciso te falar como eu me sinto. Como eu sinto. Preciso. Eu sei que embaixo da minha língua tem uma bíblia de sentimentos e meus dedos não conseguem acompanhar o ritmo. Eu não consigo me acompanhar. Como cheguei a esse ponto? Em que ponto que eu cheguei?
Sou ridículo, sou grosso, sou amante, sou amado, sou sozinho, sou movimento, sou estanque. Sangro, sorrio, choro, grito. Dou banho e me banho, faço a cama, faço a festa, arranho. Ficar palavrando assim não me leva a lugar algum, mas é como um machucado que precisa ser aberto pro sangue jorrar. O que é pior? Não me importa, quero mais é o alívio.
Você me entender é suficiente até eu me desentender comigo mesmo. De novo. Eu me sinto tão humano, um exagero, que fico enjoado de mim mesmo. Fico com medo dos meus medos. Eu não sou assim. Ao menos não era. Se eu fosse ficar só eu ficaria; se eu fosse valer nada valeria. Então até se me entendes, eu penso que logo teu desejo se rende pro enfadonho desquerer. Você já ficou tanto de saco cheio, como então se renovar pro mesmo erro? E se eu te xingar, quebrar a casa, ir embora? E se essa estupidez de ir contra o que eu mais quero não se demora?
Liberdade.
Paz de espírito.
Amor.
Essas coisas qu'eu quero equacionar em mim.
Sou ridículo, sou grosso, sou amante, sou amado, sou sozinho, sou movimento, sou estanque. Sangro, sorrio, choro, grito. Dou banho e me banho, faço a cama, faço a festa, arranho. Ficar palavrando assim não me leva a lugar algum, mas é como um machucado que precisa ser aberto pro sangue jorrar. O que é pior? Não me importa, quero mais é o alívio.
Você me entender é suficiente até eu me desentender comigo mesmo. De novo. Eu me sinto tão humano, um exagero, que fico enjoado de mim mesmo. Fico com medo dos meus medos. Eu não sou assim. Ao menos não era. Se eu fosse ficar só eu ficaria; se eu fosse valer nada valeria. Então até se me entendes, eu penso que logo teu desejo se rende pro enfadonho desquerer. Você já ficou tanto de saco cheio, como então se renovar pro mesmo erro? E se eu te xingar, quebrar a casa, ir embora? E se essa estupidez de ir contra o que eu mais quero não se demora?
Liberdade.
Paz de espírito.
Amor.
Essas coisas qu'eu quero equacionar em mim.
Quero sumir por aí e saber o caminho de volta.
Quero que a vida me encha de porradas e eu cuspa sangue em resposta.
Você me diz que agora tudo me agride. Estou de peito aberto, é fato. À flor da pele. Qualquer coisa de mim facilmente se exibe.
Me xinga. Me extingua. Desgoste e eu te mostro a língua. Mostre a tua que eu arranco fora.
É bom ser raiva, ser tristeza, ser solidão, ser desagrado, ser o não. Assim desaprendo o suficiente do bom pra me surpreender com ele acaso ele venha noutra estação.
Confissão I
Vermelho ou a ausência de certezas além de uma única. Eu sou um espanto, diante da vida, das surpresas. Eu sou o medo, que me mostra todo dia no espelho a bandeira de humanidade cravada nas costas. Eu sou o desejo de asas nos pés, fogo nos olhos, lua no céu da boca, língua estrelada sentindo o gosto do teu cheiro sublime. E ainda assim quero ser mais. Quero nomear e ter entre minhas mãos uma soma de letrinhas tão sólida quanto meu sorriso enquanto sonho: liberdade.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Primeiros Atos
Eu não gosto de ficar molhado quando quero ficar seco
Não gosto de ficar seco quando quero ficar molhado
Nem quero te secar louco pra te ver molhada
Não quero ficar seco que avó diz que é mau olhado
Eu não gosto do bom gosto, nunca tive bom senso
Sem somas diversas não me sinto vivo
Vivo somando pra da poesia ser rebento
Arrebento as vias que me talham o caminho
Gosto de vida com gosto diverso
Azedo, amargo, doce, salgado e certo
Direito, destro, de esquerda, canhoto
Calcanhotto pra cantada, qual garoto
Fervilhando paixão
Ambíguo, ambisdestro, lambi
Valente, multidireção
Eu sou daqueles que fervem
Bem vivo,vivo bem
Sempre com, sem pressa
Sempre essa
Emoção
Não gosto de ficar seco quando quero ficar molhado
Nem quero te secar louco pra te ver molhada
Não quero ficar seco que avó diz que é mau olhado
Eu não gosto do bom gosto, nunca tive bom senso
Sem somas diversas não me sinto vivo
Vivo somando pra da poesia ser rebento
Arrebento as vias que me talham o caminho
Gosto de vida com gosto diverso
Azedo, amargo, doce, salgado e certo
Direito, destro, de esquerda, canhoto
Calcanhotto pra cantada, qual garoto
Fervilhando paixão
Ambíguo, ambisdestro, lambi
Valente, multidireção
Eu sou daqueles que fervem
Bem vivo,vivo bem
Sempre com, sem pressa
Sempre essa
Emoção
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Waking canvas
Certos amanhecimentos são embebidos de silêncios. Repensamentos pré-cama anestesiados por essa dádiva e desmembrados de dores com os sabores de bocas ocupadas. Desejos de boa noite que velam o sono como fogo morno - só queima o suficiente. Amanheci silenciando os mil seres de mim. Calei o mais irritante, sorri junto da minha criancice, contemplei eu-futuro e esperei pacientemente. Dentro de mim mil histórias correm junto ao meu sangue. Dentro de mim sou muitos rabiscos em papéis coloridos. E sempre repito que tudo nessa vida é escolha. Você faz a sua, eu sigo em frente com a minha. As mil histórias que eu fui e poderia ser, se resumem no que eu sou, posso e quero.
Entende?
Entende?
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Sinestesia da anestesia
Eu disse uma vez que um certo sentimento era movimento. Não menti, mas fracionei uma verdade. Vida é movimento. Cada momento. Tudo te joga pra outro estado. Nada é gentil e imaculado. O viver é implacável e espelhado no sentir. E eu sinto. Cheiros, visões, texturas, gostos e sons. E tudo isso é embebido de passado, presente e futuro. E o problema maior, sinto eu, tá nos futuros. Ou seria pior o presente despercebido? O passado vem silencioso, encardido. Nossa pele fosse reflexo, seria um mosaico do que já fomos. Imagina só, que bonito, seríamos todos mais coloridos. Hoje eu amanheci pálido. E sem gosto. Cheiro fraco, falando baixo. Hoje eu me existi pouquinho. Mas hoje ainda tá indo. Indo, indo, indo.
E vida é movimento. Uma sinfonia em tecnicolor. Vento na janela balançando árvores que a gente pesca com o canto dos olhos. Pena, mas que imensa pena, eu tenho em saber que a música dos meus olhos hoje é o chorinho.
Qual é a minha cor? Qual é a minha cor? Qual é a minha cor?
E vida é movimento. Uma sinfonia em tecnicolor. Vento na janela balançando árvores que a gente pesca com o canto dos olhos. Pena, mas que imensa pena, eu tenho em saber que a música dos meus olhos hoje é o chorinho.
Qual é a minha cor? Qual é a minha cor? Qual é a minha cor?
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
O concreto suave
Não é poesia. Porque eu estou literal. Então não adianta querer soar rebuscado, eu no máximo posso citar outra pessoa e distorcer os seus dizeres ao fazê-los deles os meus próprios.
Meus sentimentos, meus atestados, meus medos e desejos e saudades. Aquela tal de ausência em si. Você, a tal deusa de outros tempos, brincando de céu nessa terra de concretudes.
Então que posso dizer mais que te amo, se amo bem como o amor ama, e se quero mais que tudo dizer e dizer que te amo? É, te amo.
É concreto na cabeça.
Só que esse não pesa... me deixa leve.
Meus sentimentos, meus atestados, meus medos e desejos e saudades. Aquela tal de ausência em si. Você, a tal deusa de outros tempos, brincando de céu nessa terra de concretudes.
Então que posso dizer mais que te amo, se amo bem como o amor ama, e se quero mais que tudo dizer e dizer que te amo? É, te amo.
É concreto na cabeça.
Só que esse não pesa... me deixa leve.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Eu juro pra você
Sou sincero. Acima de tudo comigo mesmo. Natural. Surpreende a minha cabeça todo aquele que não aceita.
Só isso. Uma constatação solitária pra fechar a noite.
Só isso. Uma constatação solitária pra fechar a noite.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Crônica de sempre, poesia futura
Crônica
"O processo da criação narrativa é a transformação do demônio em tema." Obrigado, Vargas Llosa, pelo gatilho puxado. Quero ver aonde essa bala vai chegar...
Pois que não é esse mesmo meu companheiro de todas as horas versadas, o crônico das crônicas, os romances não escritos no papel? My fire, my hell. O que me impulsiona, seja no real ou no pedido em negrito do que escrevo, é o demônio do viver insatisfeito e o anjo que implacavelmente se emociona. Quando tô correndo em verso - bons calçados pr'esse chão pedregoso - juro que evito metaforizar. Mas às vezes não há como evitar ser lido assim, mesmo sabendo que eu lido com algo concreto. Pra mim. O meu fenômeno é uma onda, que de ontem pra hoje cresceu e me presenteou com um caixote. Juro que me surpreendi. A tal onda me enxarcou todo, me deixou tonto, pontuou uma adorada vírgula, eu ensopado dela - areia pelo corpo - e ainda quente. O meu olhar não mente: delata-me.
Então esse exercício aqui é exorcismo. Porque me veem hiperbólico e eu tô mais eufemismo. Eu sei muito bem o que sinto - enquanto eu não sentir mais. E o demônio tá liberto. É certo que a concretude tá na ausência. Olho e não há. Respiro e vem um cheiro. Reprise: eu sou dado a ter cheiros.
Dado me lembra que eu não tenho sorte. Um conjunto de eventos deprecia minhas apostas e números bons estão aos ventos. Lufadas de ares que me alvejam mais como o deus da guerra do que a deusa do amor. Fosse da paixão, eu já aceitaria melhor. Mas insatisfeito, tenho o peso da ausência. Haja paciência. E eu até tenho. Então espero meu demônio malandro - que não se contenta com essa crônica para mim mesmo - se aquietar.
Vai passar.
Enquanto isso, tem chocolate, capuccino, o maldito cigarro e uma velha bossa nova novamente à toa.
Se eu continuar escrevendo, vou me deparar com o tártaro ao invés desse batedor e seu rastro chamuscado. Ponto.
Pra quem?
PoesiaEu acho sábio amar até se ardeRogo penso muito de manhãQue tardeMas chegue em outro amanhãComeça com o fim do não iniciadoAnunciado o engarrafamentoEncenadoEnquadradado no crime do quererEu juro pra vocêQue sincero é o coração perdidoQue não joga a toalhaEnxerga o fechamentoE se amacia na malha do realDescobrimentoEu sou descobertoPor isso adoeçoO frio me envolve todoMas quando esquentoTe dou caneta papel sangue e tempoTalvez você respireTe deixo até sair do quartoPro fogo justificadoQue só vai ficar gravado em você
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